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Guia do Império Napoleônico: Tudo que Você Precisa Saber


O que é Império Napoleônico?


O Império Napoleônico foi o período em que a França foi governada por Napoleão Bonaparte entre 1799 e 1814. Houve a continuidade da Revolução Francesa satisfazendo os interesses da burguesia, preservando a propriedade privada e excluindo a participação popular; também ocorreu a invasão da Europa pelas tropas francesas, formando o chamado Primeiro Império Francês. Império Napoleônico Historiação Blog

Então, para a melhor organização de nossos estudos sobre o Império napoleônico a seleção dos principais temas ficou da seguinte forma:

  • Introdução
  • Consulado (1799-1804)
  • ?Código Civil Napoleônico
  • Império Napoleônico (1804-1814)
  • A Política Externa do Império Napoleônico
  • ?A Rivalidade França x Inglaterra
  • ?O Império Napoleônico e as Monarquias Absolutistas
  • O Bloqueio Continental de 1806 (Decreto de Berlim)
  • A Independência do Haiti (Ilha de São Domingos)
  • Fuga da Corte Portuguesa Para a América e a Independência do Brasil
  • ?Independência da América Espanhola
  • O Fim do Império Napoleônico: A Campanha da Rússia
  • ?O Governo dos Cem Dias
  • ?A Restauração Europeia
  • ?O Congresso de Viena 1814
  • ?A Santa Aliança 1815
  • O Concerto da Europa: O Nascimento da Relações Internacionais

Antes de tudo, o estudo é centrado na Europa. Ao mesmo tempo, são feitas inúmeras relações com um contexto mais abrangente.

Sobretudo, houve o cuidado de relacionar o Império napoleônico com suas repercussões na América.

Desse modo, o estudo ganha mais sentido ao conectar histórias que ocorreram dos dois lados do Atlântico.

Por outro lado, também é apresentado o legado das guerras napoleônicas para a atualidade. Principalmente no que diz respeito ao nascimento das modernas relações internacionais, também conhecida como Diplomacia.

Por certo, esta última consideração extrapola o tempo do próprio Napoleão. Por mais que o Império Napoleônico tenha provocado guerras e destruição na Europa, não podemos deixar de considerar que aquele continente nunca mais foi o mesmo depois de Bonaparte.

Introdução

Em princípio, o Império Napoleônico é um assunto diretamente relacionado com a extensão dos acontecimentos da Revolução Francesa.

Em nossa imagem de abertura temos Napoleão Bonaparte na condição de imperador dos franceses.

Sem dúvida este homem foi responsável por ações políticas, econômicas e culturais que desorganizaram o mapa europeu.

Napoleão Bonaparte foi o homem que tomou à frente da França no final da Revolução Francesa.

O Império Napoleônico teve início em 1799 e durou até de 1814, quando ocorre a queda de Napoleão Bonaparte.

Playlist – Vídeos da Revolução Francesa

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Napoleão tornou-se imperador da França em 1804.

Neste período ele invadiu quase todo o continente europeu e suas ações políticas tiveram repercussão em todo o mundo.

Feitas as devidas apresentações vamos analisar os detalhes desses assuntos do Império Napoleônico a partir de agora.

Para uma melhor organização de nosso texto eu dividi este post em 3 partes.

As duas primeiras partes são o governo do Consulado e a fase do Império Napoleônico.

A terceira e última parte diz respeito a restauração da Europa após a derrota de Napoleão Bonaparte.

Consulado (1799-1804)

Historiação Citações Michel Vovelle Napoleão e a Revolução Francesa
Citações: Michel Vovelle fala sobre Napoleão e a Revolução Francesa.

em detrimento: significa dano, prejuízo, perda. Também é sinônimo de estrago, quebra e desvantagem. É muito usada na locução prepositiva “em detrimento de”

Construção de vocabulário

O que Significa Consulado?

A primeira fase do Período Napoleônico é conhecida como Consulado, tendo ocorrido entre os anos de 1799 e 1804.

A primeira pergunta que você deve estar fazendo nesse momento deve ser mais ou menos esta aqui. O que afinal de contas significa Consulado?

Resposta: o Consulado foi uma instituição de governo criado na França entre o fim do Diretório (última fase da Revolução Francesa) e o início do Império.

Embora existissem três cônsules, quem de fato governava era o primeiro cônsul, ou seja, Napoleão Bonaparte.

Principais Realizações do Consulado

Aqui estão apresentadas as principais realizações de Napoleão durante o Consulado. Em primeiro lugar, devemos destacar o fim das ameaças externas.

Por certo, a trégua nas guerras fez com que a França pudesse se concentrar na sua reorganização interna depois de 10 anos de revolução.

A estabilização interna teve como um de seus pontos centrais a reorganização da economia.

Lembre-se: um dos motivos para o início da Revolução Francesa foi a crise nas finanças do Estado governado por Luís XVI.

Não podemos deixar de citar a Estabilização das revoltas internas.

Durante o retorno dos Girondinos ao poder no Diretório eles nunca conseguiram conter as manifestações populares.

Com efeito, quem tranquilizou o ímpeto das massas populares foi Napoleão Bonaparte.

Outra importante realização foi a reorganização do sistema administrativo francês, tornando-o profissional, ágil e eficiente, ao contrário da organização administrativa baseada nos privilégios de nascimento da Sociedade de Antigo Regime Francês.

Além disso, outra medida tomada foi o Restabelecimento da Escravidão nas Colônias Francesas.

Lembre-se que durante a fase da Convenção Nacional (liderada pelos Jacobinos) houve a abolição da escravidão nas colônias francesas.

Por conseqüência, o maior produtor de açúcar do planeta, a Ilha de São Domingos (Haiti) saiu repentinamente do mercado. Por sua vez, isto causou muitos prejuízos aos proprietários franceses.

Assim que chegou ao poder Napoleão reverteu essa medida e a França voltou a controlar momentaneamente a Ilha do Haiti.

Ademais, Napoleão Bonaparte também reatou as ligações com a Igreja Católica, uma das instituições mais atacadas durante a Revolução Francesa.

Estabilização da França Após a Revolução Francesa

Mas como tudo isso aconteceu em tão pouco tempo? Vamos aos detalhes.

Napoleão obteve seguidas vitórias contra as coligações rivais da França revolucionária. Essas coligações eram formadas pela Inglaterra, Áustria, Prússia e Rússia.

A Inglaterra era a arquirrival da França, sendo que as duas nações travaram guerras durante praticamente todo o século XVIII.

As demais nações eram monarquias absolutistas que pretendiam varrer do mapa toda e qualquer influência das ideias e práticas políticas do iluminismo e da Revolução Francesa, uma vez que elas colocavam em risco o poder dos reis absolutistas desses países.

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O equilíbrio das finanças do Estado francês foi construído por meio da criação do Banco Francês e da unidade monetária nacional: o franco.

Após uma sucessão de vitórias contra os inimigos da França, foram assinados tratados de paz que deram à França a condição de resolver seus assuntos internos sem ter que se preocupar com os ataques externos de seus rivais.

No campo social Napoleão fez inúmeras concessões aos camponeses, de forma que eles tiveram acesso à terra.

Nesse sentido isto contribuiu para o fim das consecutivas manifestações populares que vinham acontecendo desde o início da Revolução Francesa em 1789.

Napoleão estabeleceu uma série de investimentos no setor industrial e agrícola. O crescimento da agricultura era fundamental para pôr fim à crise de abastecimento interno que provocava fome e revoltas populares.

O investimento na indústria era fundamental para concorrer com a maior inimiga da França: a Inglaterra e seu império colonial.

Em síntese, todas as essas medidas foram adotadas durante o governo do Consulado e foram fundamentais no processo de estabilização da França.

Código Civil Napoleônico

Código Civil Napoleônico
Código Civil Napoleônico

O Código Civil Napoleônico foi a organização das leis no Estado Francês, outorgado por Napoleão Bonaparte em 1804. Sua principal característica foi normatizar e organizar as leis não escritas praticadas pela população (Direito Costumeiro) e também as leis criadas durante a Revolução Francesa. Destaque para a legitimação da propriedade privada, influência do Direito Romano, favorecendo os interesses da burguesia.

Dentre algumas de suas principais medidas selecionamos as seguintes.

  • Igualdade de todos perante a lei. Na prática isso tornava legítimo o fim dos privilégios de nascimento da Sociedade Estamental Francesa.
  • A França tornou-se um Estado Laico. Ou seja, houve a separação entre Igreja e Estado, de forma que a Igreja estava subordinada à autoridade do Estado.
  • Sob forte influência do Direito Romano houve a legitimação do direito à propriedade privada. A partir de então a propriedade privada estava sob a proteção legal do Estado Francês.
  • Houve ainda a proibição da formação de sindicatos e greves. Esta medida favoreceu a burguesia. Os patrões puderam contar com um ambiente tranquilo para desenvolver a indústria francesa. Isso se explica porque o movimento operário estava ausente devido ao controle exercido pelo Estado Francês.

Partiremos agora para a segunda fase do Período Napoleônico.

Trata-se do Império, fase de governo de Napoleão que durou de 1804 a 1814. Vejamos a partir de agora os principais desdobramentos desta fase.

Império Napoleônico (1804-1814)

Império Napoleônico - A Coroação de Napoleão Bonaparte
Império Napoleônico: a coroação de Napoleão Bonaparte.

Em primeiro lugar, devemos destacar a construção da figura do Imperador. Veja a evolução.

Em 1799 Napoleão foi proclamado 1º Cônsul da França. Lembre-se que eram três cônsules, sendo que Napoleão era o Cônsul que dava a palavra final.

Posteriormente, em 1802 Napoleão foi proclamado Cônsul vitalício da França. Ou seja, ele governaria o país até que chegasse a sua morte.

Por fim, em 1804 ocorreu uma nova mudança no Status de governo. Napoleão recebeu o título de imperador da França após a realização de um plebiscito.

Isso significa que o povo votou a aprovou a elevação de Napoleão Bonaparte à condição de Imperador dos Franceses.

Dessa forma, de 1804 a 1814 Napoleão governou a França com todos os poderes concentrados em suas mãos.

Em suma, a fase da estabilização interna do país após o complicado processo revolucionário estava concluída. Uma nova etapa do Governo de Napoleão teria início a partir da sua transformação em imperador da França.

A Política Externa do Império Napoleônico

Império Napoleônico Derrubada das Monarquias Absolutistas
Império Napoleônico: derrubada das Monarquias Absolutistas.

Desde que assumiu a condição de imperador da França Napoleão perseguiu dois objetivos centrais.

Em primeiro lugar, ocorreu a expansão territorial por meio da superioridade militar francesa, que possuía o exército mais poderoso do planeta naquele contexto. Foi por meio da conquista de territórios em toda a Europa que se fez a formação do Império Francês.

Em segundo lugar, houve a tentativa de reservar o comércio mundial em benefício dos franceses. Ou seja, Napoleão teria que passar por cima da Inglaterra e colocá-la fora do comércio mundial.

Porém, esta era uma das tarefas das mais difíceis, uma vez que os ingleses representavam a maior potência industrial, marítima e comercial do planeta.

Vamos analisar as características da Política externa do Império liderado por Napoleão.

A Rivalidade França x Inglaterra

Os Ingleses ficam os mares e Napoleão com a Europa
Os Ingleses ficam os mares e Napoleão com a Europa.

Em termos de política externa o alvo principal era atingir a Inglaterra. A Inglaterra representava a principal rival mundial da França.

Esta rivalidade foi intensificada ao longo de todo o século XVIII. Os dois episódios mais conhecidos foram a Guerra dos Sete Anos e a Guerra de Independência dos EUA.

A disputa entre os dois países continuaria intensa no século XIX. Além dessa rivalidade havia entre os dois países uma disputa pelos mercados mundiais.

De uma lado a França estava em processo de industrialização no início do século XIX; por outro lado, a Inglaterra dominava sozinha os mais importantes mercados consumidores do mundo.

Caso a França desejasse sucesso deveria eliminar a Inglaterra de seu caminho.

O Império Napoleônico e as Monarquias Absolutistas

Outro alvo da política externa de Napoleão era derrubar as Monarquias absolutas que atacaram a França durante a Revolução.

Os reis absolutistas tinham um profundo medo da difusão da Revolução Francesa pela Europa. Se isso acontecesse, poderia significar a sua própria derrubada.

Caso a França conquistasse a estabilidade política e econômica sob o comando de Napoleão Bonaparte isso poderia ameaçar a permanência do absolutismo na maioria dos países europeus.

Foi por esta razão que várias Coligações foram formadas. O objetivo era um só: reunir os maiores inimigos da França (representados por Inglaterra, Áustria, Prússia e Rússia) e unidos derrubar a poderosa França reconstruída sob o comando de Napoleão Bonaparte.

Agora nós vamos analisar uma das maiores ações colocadas em prática por Napoleão. Trata-se do famoso Bloqueio Continental de 1806.

O Bloqueio Continental de 1806 (Decreto de Berlim)

O Bloqueio Continental, também conhecido como Decreto de Berlim, foi uma lei criada por Napoleão Bonaparte em 1806 proibindo os países do continente europeu de estabelecerem relações comerciais com a Inglaterra. Tratava-se de uma guerra comercial inserida nas guerras napoleônicas. Seu objetivo era quebrar a Inglaterra economicamente, reservando o comércio europeu para os produtos franceses.

Bloqueio Continental 1806 Império Napoleônico
Bloqueio Continental 1806 Império Napoleônico

Para falar do Bloqueio Continental vamos explorar os recursos do mapa exposto na imagem.

Por meio do Decreto de Berlim de 22 de novembro de 1806 Napoleão proibiu que os navios ingleses estabelecessem qualquer troca comercial com os países que estivessem sob o domínio da França.

Na prática isto significava que a Inglaterra estava proibida de estabelecer qualquer troca comercial com o continente europeu.

Como a Inglaterra é uma ilha separada do restante do continente europeu o bloqueio aos portos mostrou-se uma estratégia eficiente para derrubar o maior e mais poderoso inimigo da França.

O objetivo principal do Bloqueio Continental era estrangular a Inglaterra pela via comercial e reservar todo o mercado europeu para as manufaturas francesas.

Nos primeiros anos do Bloqueio Continental a Indústria inglesa quase quebrou.

Porém, a Inglaterra encontrou uma boa válvula de escape que a manteve viva e preparada para o contra-ataque. Os ingleses passaram a vender seus produtos manufaturados para a América Espanhola e Portuguesa.

Esta na hora de estabelecer algumas relações entre as guerras travadas por Napoleão na Europa e a sua repercussão pelo mundo afora. Vamos lá!

A Independência do Haiti (Ilha de São Domingos)

Grafite Império Napoleônico
Grafite na Rua de Milão, Itália. Império Napoleônico associado à guerra, miséria e táticas de um jogo de xadrez.

Uma das primeiras repercussões das promovidas pelo Império Napoleônico foi a Independência do Haiti, antes conhecido como Ilha de São Domingos.

Nos anos de 1803 e 1804 ocorreram duas violentas revoltas de escravos na colônia Francesa da Ilha de São Domingos.

Entretanto, Napoleão estava muito ocupado e comprometido com as guerras na Europa e não enviou tropas para conter as revoltas.

Como resultado, na Revolta de 1804 os escravos da ilha mataram todos os franceses e proclamaram a independência da região.

Foi assim que surgiu o Haiti, o segundo governo republicano das América e o primeiro a ser governado por ex-escravos.

Fuga da Corte Portuguesa Para a América e a Independência do Brasil

A segunda grande repercussão do Império Napoleônico foi Invasão de Portugal e a fuga da Corte portuguesa para o Brasil.

Portugal era um aliado histórico da Inglaterra e não obedeceu ao Bloqueio Continental. Quando soube disso Napoleão ordenou a invasão do reino português.

Com proteção dada pela Inglaterra a corte portuguesa atravessou o Atlântico e desembarcou no Brasil em 1808.

O resultado de tudo isso foi a aceleração de nosso processo de independência que viria a ocorrer em 1822.

Independência da América Espanhola

Outra importante repercussão das Guerras Napoleônicas foi a Invasão da Espanha e o aprisionamento de seu rei.

Na ausência de um rei legítimo os colonos desencadearam uma série de lutas que favoreceram os processos de independência em toda a América Espanhola.

Ou seja, as ações políticas, econômicas e militares de Napoleão Bonaparte na Europa tiveram consequências importantíssimas para a História das Américas.

Lembre-se disso durante a prova de Ciências Humanas do ENEM e estabeleça relações entre temas que parecem estar desconectados.

O Fim do Império Napoleônico: A Campanha da Rússia

Império Napoleônico Campanha da Rússia
O maior inimigo de Napoleão Bonaparte na campanha militar da Rússia: o inverno.

Este é o momento de voltar para a Europa.

Vamos desembarcar na famosa Campanha da Rússia de 1812. Foi lá que o Império Napoleônico começou a ruir. Vejamos os detalhes deste fato histórico.

Em 1812, a fim de consolidar sua campanha militar, Napoleão decidiu invadir a Rússia, um dos maiores inimigos da França.

O motivo dessa decisão foi a desobediência do imperador do Russo, Alexandre I, que quebrou o Bloqueio Continental e continuou mantendo relações comerciais com a Inglaterra.

Assim sendo, Napoleão enviou um exército com nada menos do que 600 mil homens para invadir, saquear e destruir o Império Russo.

Obviamente, os russos sabiam da superioridade do exército de Napoleão e resolveram utilizar a tática da Terra Arrasada enquanto aguardavam a chegada do rigoroso inverno da região.

A Tática da Terra Arrasada consiste em marchar para dentro de seu próprio território destruindo todas as plantações e abrigos para que eles não possam ser utilizados pelo inimigo invasor.

Todavia, o inverno russo chegou e destruiu o exército de Napoleão. Diante de temperaturas baixíssimas, com fome, frio e agora enfrentado a guerrilha dos russos. o exército de Napoleão bateu em retirada com apenas 100 mil soldados sobreviventes.

Ou seja, Napoleão perdeu meio milhão de soldados em uma única campanha militar. Esta foi uma derrota acachapante que desestruturou totalmente o Império de Napoleão.

Depois disso foi uma derrota atrás da outra. Por fim, Napoleão foi derrotado pela 6ª Coligação em 1814.

Este era o fim do Império Napoleônico, mas não necessariamente o seu momento final.

Os integrantes dessa coligação eram os mesmos inimigos desde os tempos da Revolução Francesa, sendo formada por Inglaterra, Áustria, Prússia e Rússia.

A assinatura do Tratado de Fontainebleau foi o reconhecimento oficial da derrota francesa, marcando o fim do Império Napoleônico. Ainda em 1814 Napoleão foi preso e exilado na Ilha de Elba.

O Governo dos Cem Dias

A princípio, os inimigos de Napoleão o consideravam uma carta fora do baralho.

Surpreendentemente, Napoleão fugiu de seu exílio na Ilha de Elba e retornou à França em 1815. Posteriormente, ele derrubou o rei restaurado, que naquele momento era Luís XVIII (irmão de Luís XVI).

Esse momento que marcou o retorno de Napoleão ao comando da França ficou conhecido como o Governo dos Cem Dias.

Em contrapartida, rapidamente os rivais de Napoleão se rearticularam e formaram a 7ª Coligação. A nova derrota francesa aconteceu na Batalha de Waterloo no ano de 1815.

Depois de ser recapturado Napoleão Bonaparte foi aprisionado na Ilha de Santa Helena e lá ele morreu no ano de 1821.

Napoleão foi preso e faleceu poucos anos depois. Todavia, a Europa jamais seria a mesma depois da Revolução Francesa e do Império Napoleônico.

Em suma, veremos as repercussões das ações de Napoleão agora, na terceira e última fase em que este texto está se divide.

A Restauração Europeia

Mini Mapa Mental Império Napoleônico Congresso de Viena
Mini Mapa Mental Império Napoleônico: Congresso de Viena e Santa Aliança.

A terceira e última fase de nossa post de blog é a Restauração Europeia, ocorrida entre 1814 e 1815.

A Restauração Europeia foi o momento em que monarquias absolutistas tentaram eliminar a influência do iluminismo e da Revolução Francesa do continente europeu durante a fase de expansão do Império Napoleônico.

Em outras palavras, as monarquias absolutistas da Sociedade de Antigo Regime pretendiam eliminar da Europa ideias de liberdade política, liberdade de expressão, divisão dos poderes e igualdade social.

Enfim, pretendiam eliminar as ideias iluministas do cotidiano do povo europeu. Com o intuito de realizar este propósito, a Restauração Europeia teve dois movimentos principais.

O primeiro deles foi o Congresso de Viena, realizado em 1814. E o segundo movimento foi a Santa Aliança, realizado em 1815. Vamos analisar cada um deles separadamente.

O Congresso de Viena 1814

O Congresso de Viena foi um encontro diplomático inciado em 1814 e finalizado em 1815 com a participação da Áustria, Prússia, Rússia e Inglaterra. Ele ocorreu após a derrota de Napoleão Bonaparte. Duas ideias centrais sintetizaram o movimento restaurador deste encontro que objetivava reorganizar a Europa após as guerras napoleônicas. Em primeiro lugar, temos o Princípio de Legitimidade. E em seguida, o Princípio do Equilíbrio Europeu.

  • O Princípio de Legitimidade mandou restaurar todas as monarquias que foram derrubadas por Napoleão Bonaparte, pois elas foram consideradas “legítimas”.
  • Dessa forma, todos os reis derrubados durante a expansão do Império Napoleônico deveriam retornar ao poder.
  • De maneira idêntica, o Princípio do Equilíbrio Europeu tinha como objetivo restaurar do equilíbrio entre as grandes potências europeias, evitando-se a hegemonia de qualquer uma delas.
  • isto é, a intenção era dividir o mapa da Europa em áreas de influência equilibrando a força entre as nações mais poderosas, e assim evitar o desejo de expansão territorial sobre os países considerados mais fracos.
  • Desse modo, seria evitado o aparecimento de outro líder semelhante a Napoleão Bonaparte, impedindo a Europa de mergulhar em uma nova guerra prejudicial a todos os países do continente.

A Santa Aliança 1815

O segundo movimento da Restauração Europeia foi a Santa Aliança, ocorrida em 1815. Dentre os seus participantes estavam a Áustria, a Prússia e a Rússia. Os objetivos da Santa Aliança eram os seguintes:

Em primeiro lugar, pretendiam estabelecer o direito de intervenção em qualquer região europeia em que se iniciasse um movimento liberal ou uma revolução burguesa.

Em outras palavras. Caso em algum canto do Europa tivesse início um movimento liberal semelhante à Revolução Francesa os países da Santa Aliança enviariam suas tropas para esmagar o movimento.

Já posso adiantar que este objetivo fracassou, pois em 1820 teve início a Revolução Liberal do Porto que limitou os poderes do rei em Portugal. 

Em segundo lugar, havia o objetivo era frear e impedir os processos de independência no continente americano, resguardando os interesses das potências coloniais europeias na América.

Todavia, este objetivo também não foi alcançado, por várias razões. Dentre os principais motivos podemos dizer que os movimentos de independência na América espanhola estavam muito adiantados, sendo quase impossível enviar tropas para recolonizar a região.

Outra razão foi o incentivo dada pela Inglaterra para a independência da América, uma vez que ela estava interessada em negociar com nações livres e assim fugir das restrições do Pacto Colonial.

Enfim, restaurar a Europa até as condições anteriores ao início da Revolução Francesa e Expansão do Império Napoleônico era improvável, para não dizer impossível.

Em outras palavras, o liberalismo político e econômico galopava pela Europa, deixando o contexto extremamente desfavorável para a permanência dos regimes absolutistas.

E para finalizar vamos apresentar o “Concerto da Europa”.

O Concerto da Europa: O Nascimento da Relações Internacionais

Os acontecimentos do Congresso de Viena a partir de 1814 ficaram conhecidos como “Concerto da Europa”. Nesse sentido, o encontro representou do marco inicial das modernas Relações Internacionais.

Só para ilustrar aqui a palavra concerto assumi o significado da construção da harmonia e do equilíbrio entre as nações europeias, tal qual um concerto de música.

Pela primeira vez na história a diplomacia foi capaz de construir um ambiente duradouro de paz no continente europeu.

É importante dizer que esta foi uma paz relativa, ou seja, pequenos conflitos locais continuavam acontecendo.

Entretanto, no contexto mais amplo, as relações diplomáticas entre os países europeus foram capazes de evitar um grande número de guerras que poderiam impedir o desenvolvimento da região por décadas.

Apenas 100 anos depois do Congresso de Viena teria início um conflito militar de grandes dimensões na Europa. Em outras palavras, tratava-se do início da Primeira Guerra Mundial, uma das guerras mais destruidoras da história da humanidade.

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