28 Informações Para Dominar a Inconfidência Mineira de 1789 – Garantido!

Tempo de leitura: 24 minutos


1) O Que é Inconfidência Mineira (Conjuração Mineira)?


A Inconfidência Mineira ou Conjuração Mineira ocorreu em 1789. Ela foi uma revolta separatista contra Portugal, relacionada com a derrama: cobrança de impostos atrasados por não atingir 100 arrobas de ouro anuais. Com a delação de Joaquim Silvério dos Reis a derrama foi suspensa pelo Visconde de Barbacena. Os inconfidentes foram presos. Tiradentes foi enforcado, decapitado e esquartejado em 21 de abril de 1792.
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De onde Veio a Influência? Revolução Francesa ou Independência dos EUA?

No mesmo ano em que ocorria a Revolução Francesa na Europa também transcorria a Inconfidência Mineira na América do Sul. Ou seja, estamos falando do ano de 1789.

Entretanto, embora os dois movimentos sejam contemporâneos, não podemos dizer que eles conversavam entre si.

Em outras palavras, a Revolução Francesa não influenciou a Conjuração Mineira.

O mais correto seria falar da influência da Independência dos Estados Unidos (1776) sobre as ações dos inconfidentes em Minas Gerais.

Só para exemplificar, o critério censitário e a manutenção da escravidão foram ideias colocadas em prática durante o processo de independência dos EUA e também defendida pelos participantes da Inconfidência Mineira.

Portanto, não cometa esse erro básico.

2) Inconfidência:
Crime de Lesa Majestade

Em primeiro lugar, Inconfidência significa infidelidade, traição, deslealdade.

No século XVIII o crime de inconfidência era considerado um crime gravíssimo, era um crime de lesa-majestade, o mais grave crime da Sociedade de Antigo Regime.

O indivíduo, independente de sua condição social, recebia uma punição muito severa, pois tratava-se de um crime cometido contra a autoridade do próprio rei.

Neste casos aplicava-se um castigo pedagógico, ou seja, um castigo para servir de exemplo para toda a sociedade.

Por isso, tratava-se de um castigo com requintes de crueldade, planejado para a população nunca mais esquecer. Não por acaso, este tipo de castigo esteve presente na Inconfidência Mineira.

3) O Suplício da Família Távora

Crime de Lesa Majestade. Processo dos Távoras. Patíbulo da Execução Fonte: Biblioteca Nacional, Estampa. Anónima, c. 1759-60.

Só para exemplificar, em setembro de 1758 o rei de Portugal D. José I sofreu um atentado do qual escapou com vida. 

Desse modo, o ministro do rei, Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido como Marquês de Pombal, se encarregou da investigação que culminou na acusação, prisão, julgamento, tortura e execução da família dos Távoras.

Posteriormente, o julgamento sumário terminou com um castigo exemplar contra os acusados de atentar contra a vida do rei. Os nobres acusados de traição foram torturados e executados com requintes de crueldade em praça pública.

Surpreendentemente, mãos e pés foram cortados e alguns sofreram a decapitação. Seus corpos foram queimados e as cinzas jogadas ao mar. Uma de suas propriedades foi demolida e o terreno coberto com sal para que nada ali nunca mais nascesse.

Além disso, os bens da família Távora foram confiscados, seus títulos de nobreza foram eliminados e foi proibido o casamento dos membros remanescentes com outros nobres portugueses.

Enfim, isso aqui não é novela e você não precisa esperar o último parágrafo para saber o que vai acontecer. De maneira idêntica, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, também foi acusado de cometer crime de Lesa Majestade durante a Inconfidência Mineira.

Playlist Vídeos da Inconfidência Mineira

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4) O Contexto da Sociedade Mineradora

Situação da economia na Sociedade Mineradora - Blog Post Inconfidência Mineira - HistoriAção
Situação da economia na Sociedade Mineradora .

Vamos apresentar agora a importância da descoberta de ouro no sertão de Minas Gerais para a Coroa Portuguesa.

Em primeiro lugar, o ouro era uma das principais riquezas desejadas por Portugal desde que a esquadra de Pedro Alvares Cabral conquistou a América a partir de 1500.

Assim sendo, desde sempre a Coroa portuguesa estava sedenta, desejando encontrar ouro o mais rápido possível.

Finalmente, quando o ouro foi encontrado no término do século XVII, ocorreu um processo de urbanização, crescimento populacional e diversificação das atividades comerciais sem precedentes na história da Colônia, concentrado principalmente no sertão de Minas Gerais.

Desse modo, o ouro e depois os diamantes transformaram-se na principal fonte de sustentação da economia portuguesa. Toneladas e mais toneladas dessas riquezas foram extraídas do Brasil e encaminhadas para a Europa.

5) O Declínio na Produção de Ouro na Capitania de Minas Gerais

Em segundo lugar, para compreender a Inconfidência Mineira é preciso ter em mente o que estava acontecendo com a extração de ouro na Capitania de Minas Gerais no século XVIII e associar esse quadro com a situação da economia portuguesa neste mesmo período.

Na Capitania de Minas houve um aumento progressivo na extração de ouro na primeira metade do século XVIII.

A cobrança de impostos, principalmente o quinto (20% sobre todo o ouro extraído), ajudou Portugal a se manter economicamente e contribuiu para o pagamento de dívidas contraídas junto a Inglaterra.

Todavia, a partir de 1750, aconteceu uma queda gradativa e constante das reservas auríferas da região mineradora.

Por fim, ocorreu a diminuição da arrecadação de impostos que sustentava economicamente o Estado português.

Só para ilustrar vamos analisar um gráfico para entender melhor o que estava acontecendo com a extração de ouro em Minas Gerais no século XVIII.

6) Análise de Gráfico: Sociedade Mineradora

O gráfico a seguir mostra a arrecadação de ouro (em arrobas*) pela Coroa portuguesa no território das Minas Gerais entre 1716 e 1787. É bom lembrar que 1 arroba equivale 14 quilos 740 gramas, ou seja, quase 15 quilos.

Gráfico sobre a extração de ouro na Sociedade Mineradora - Inconfidência Mineira HistoriAção
Gráfico sobre a extração de ouro na Sociedade Mineradora – Inconfidência Mineira.

Cada barra do gráfico corresponde à média de arrecadação a cada 5 anos, exceto a última barra, que diz respeito somente ao biênio 1786-1787.

Pelo gráfico é muito fácil entender o que estava acontecendo. Na primeira metade do século XVIII a produção de ouro aumenta até atingir o seu pico no ano de 1740.

Depois disso, a extração de ouro vai caindo gradativamente na segunda metade do século XVIII, demonstrando claramente que as reservas estavam se esgotando.

7) Situação da Economia Portuguesa

A importância do Ouro e diamantes para a coroa Portuguesa - Inconfidência Historiação
A importância do Ouro e diamantes para a coroa Portuguesa.

Além disso, o esgotamento das reservas de ouro era de conhecimento da administração portuguesa na Colônia. Do mesmo modo, era de amplo conhecimento a prática do contrabando e descaminho do ouro, atividades comuns e corriqueiras na região mineradora.

Portanto, era muito fácil contrabandear o ouro, pois este metal é um equivalente universal. Ou seja, é moeda de troca aceita em qualquer parte do mundo, facilitando os atos ilícitos envolvendo a mercadoria.

Impostos da Coroa Portuguesa Historiação
Impostos e a Coroa Portuguesa.

A reação da Coroa veio com uma gradual e constante intensificação dos mecanismos de controle para evitar a sonegação de impostos e garantir a arrecadação para os cofres portugueses.

Em outras palavras, a coroa portuguesa “caiu matando” com a cobrança de impostos e a população da região mineradora ficou muito agitada e preocupada, pois mesmo aqueles que não tinham nenhuma atividade relacionada com a mineração arcavam com a elevação dos tributos.

Portanto, a cobrança de impostos é um assunto muito delicado na disciplina de História. A Revolução Inglesa, a Independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa são processos históricos que estão intimamente ligados com a cobrança de impostos.

Em outras palavras, quando a cobrança de impostos é injusta e violenta ela tem o incrível potencial de provocar motins, revoltas e revoluções na sociedade.

Então, você já percebeu que a Inconfidência Mineira estava relacionada com a intensificação da cobrança de impostos pela Coroa Portuguesa, devido ao declínio da extração de ouro na região mineradora de Minas Gerais.

8) O Visconde de Barbacena

Infográfico Inconfidência Mineira e Visconde de Barbacena Blog Historiação
Infográfico: Inconfidência Mineira e Visconde de Barbacena.

Anteriormente nós analisamos a queda da arrecadação de impostos pela Coroa Portuguesa na região mineradora. O principal motivo desta redução foi o esgotamento das minas de ouro.

Portugal procurou resolver esta situação de uma maneira muito perigosa, ou seja, aumentando o controle administrativo na região mineradora e também intensificando o rigor na cobrança de impostos.

Com efeito, o rei de Portugal enviou um novo governador para a Capitania de Minas Gerais. Tratava-se do Visconde de Barbacena, um nobre português de confiança da Coroa, que recebeu as seguintes ordens a serem cumpridas como consequência da queda na extração de ouro:

  • Em primeiro lugar ele deveria corrigir os abusos do clero. Em outras palavras, a Igreja Católica gozava de uma grande autoridade na Capitania de Minas e este poder estava entrando em concorrência com o poder do rei. Isto tinha que acabar.
  • Em segundo lugar, o Visconde de Barbacena também deveria regulamentar e reduzir as taxas cobradas pelos padres aos fiéis, julgadas muito altas. Em outras palavras, a Igreja Católica andava cobrando dízimos tão elevados que isto reduzia a arrecadação de impostos do rei de Portugal.
  • Mas, sem sombra de dúvidas, o ponto crítico da nova administração do Visconde de Barbacena era tomar medidas para aumentar a arrecadação de impostos de todas as formas possíveis e imagináveis, governando com grande rigor a indisciplinada Capitania de Minas Gerais.
  • Além disso, o Visconde de Barbacena deveria também garantir 100 arrobas anuais de ouro à Fazenda Real. Ou seja, o rei de Portugal exigia o mínimo de 1500 quilos (1 tonelada e meia de ouro) todos os anos como forma de cobrança de impostos.

9) A Derrama


Derrama era uma forma de cobrança do quinto do ouro caso as 100 arrobas anuais não fossem atingidas. Neste caso, a população deveria ceder todo o metal precioso para a Casa de Fundição. Se mesmo assim a cota não fosse atingida todos deveriam pagar o imposto com qualquer bem de valor que estivesse sob sua propriedade. Ou seja, tratava-se da cobrança dos impostos atrasados na sociedade mineradora.

Loucura, loucura, loucura!

Pela analise do gráfico feita anteriormente sabemos muito bem que era impossível alcançar 100 arrobas de ouro como pagamento de impostos, pois nem mesmo nos anos mais prósperos tal quantidade jamais foi alcançada.

Veja bem. No período de 5 anos que de vai de 1736 até 1740, onde a extração de ouro atingiu o seu ponto máximo, foram retiradas 250 arrobas, tudo de acordo com a tabela de Kenneth Maxwell.

Ou seja, nós temos uma média de 50 arrobas de ouro por ano neste período.

Em outras palavras, seria impossível arrecadar 100 arrobas de ouro na administração do Visconde de Barbacena, fazendo com que a derrama pudesse ser decretada a qualquer momento.

Portanto, a Derrama era uma coisa muito complicada. Este era o mais temido, odiado e perigoso imposto criado por Portugal em sua colônia na América Portuguesa.

Conforme já foi dito anteriormente, a Derrama era uma forma de cobrança do quinto do ouro, caso as 100 arrobas não fossem atingidas. Este imposto recaia sobre toda a população, não se restringindo aos mineradores.

10) Imposto com Capacidade de Gerar Revoltas Populares

Em outras palavras, a Derrama era um imposto derramado, repartido sobre todos os moradores da capitania de Minas Gerais, mesmo que o indivíduo não tivesse nenhuma relação com a atividade do ouro.

A decretação da Derrama era iminente, ou seja, ela poderia acontecer a qualquer momento na década de 1780.

Consequentemente, esta situação deixou a população com muito medo, angustiada, temorosa, aflita, pois tal cobrança de impostos jamais havia acontecido antes e ninguém sabia o resultado final dessa situação.

O Perfil dos Inconfidentes

A partir de agora nós vamos conhecer um pouco mais sobre o perfil dos homens que participaram da Inconfidência Mineira. Conhecendo-os um pouco melhor ficará mais fácil entender as ideias pelas quais eles lutavam e o que pretendiam fazer na Capitania de Minas Gerais.

11) Tomás Antônio Gonzaga

Perfil dos Inconfidentes Tomás Antônio Gonzaga - Historiação
Perfil dos Inconfidentes: Tomás Antônio Gonzaga.

Vamos começar por Tomás Antônio Gonzaga. Ele residia em Vila Rica, mas era filho de portugueses. Em relação a sua profissão sabemos que ele era um ex-ouvidor, um magistrado em de Vila Rica. Também havia sido nomeado desembargador da Bahia.

Além disso, Tomás Antônio Gonzaga era poeta e foi autor de Cartas Chilenas, uma conjunto de 12 cartas que circularam em Vila Rica pouco tempo antes da Inconfidência Mineira. Usando um pseudônimo ele criticava abertamente a administração do governador da Capitania de Minas.

Ou seja, percebe-se que Tomás de Antônio Gonzaga era um homem de grande capacidade intelectual e literária. Pode-se dizer que tratava-se de um indivíduo da elite social da região mineradora.

12) Tiradentes – Joaquim José da Silva Xavier

Perfil dos Inconfidentes Tiradentes Historiação
Perfil dos Inconfidentes: Tiradentes.

Vamos falar agora de Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes. Ele era filho de portugueses e nasceu na Capitania de Minas Gerais. Residia em Vila Rica. Exerceu diversas profissões, tais como tropeiro, mascate e dentista (daí a origem no nome Tiradentes)

Na época da Inconfidência Mineira ocupava o posto Alferes (uma espécie de sub-tenente). Ele era proprietário de 5 escravos e foi apontado como o principal líder do movimento. Dedicou-se à mineração, anos antes, sem êxito, perdendo suas propriedades por dívidas.

Pelas informações dos Autos de Devassa sabemos que Tiradentes foi o responsável por levar as ideias da Inconfidência Mineira para o espaço público.

Ou seja, ele divulgava as propostas dos inconfidentes e conseguia seguidores e apoio para a execução do plano.

13) Claúdio Manoel da Costa

Perfil dos Inconfidentes Claudio Manoel da Costa Historiação
Perfil dos Inconfidentes: Claudio Manoel da Costa.

O nosso terceiro inconfidente é Claúdio Manoel da Costa . Ele residia em Vila Rica, era Poeta, minerador, agropecuarista, usurário (ou seja, praticava a usura, emprestava dinheiro cobrando juros), advogado e possuía 31 escravos. Ele fazia a lavagem dos lucros obtidos com o contrabando.

Dessa forma, fica evidente que ele também fazia parte da elite da sociedade mineradora. Ele estudou na universidade de Coimbra, era admirador de Pombal e teve contato com as ideias iluministas. Ou seja, ele foi um dos mentores intelectuais da Inconfidência Mineira.

14) Carlos Correa de Toledo e Melo

Perfil dos Inconfidentes Carlos Correia HistoriAção
Perfil dos Inconfidentes: Carlos Correia.

O nosso próximo inconfidente é Carlos Correa de Toledo e Melo. Ele residia na Comarca do Rio das Mortes. Era Padre, natural de Taubaté, São Paulo, era minerador, agropecuarista, rico e culto. Possuía 32 escravos.

Semelhantemente às tarefas de Tiradentes, ele teve um papel bem ativo na Inconfidência Mineira,

Sua função era “aprontar cavaleiros armados o tanto que pudesse”, ou seja, montar uma tropa armada para apoiar a Inconfidência Mineira e executar o plano.

Percebemos assim que os membros que clero realmente traziam alguns problemas para a Coroa portuguesa.

15) Joaquim Silvério dos Reis

Perfil dos Inconfidentes Joaquim Silvério dos Reis Historiação
Perfil dos Inconfidentes: Joaquim Silvério dos Reis.

Antes de mais nada, este é um dos mais famosos inconfidentes. Estamos falando de Joaquim Silvério dos Reis, um dos principais delatores da Inconfidência Mineira.

Era um reinol, ou seja, nasceu no reino, era natural de Portugal. Residia em Vila Rica.

Joaquim Silvério dos Reis era Coronel Comandante do Regimento de Cavalaria Auxiliar de Borda do Campo, fazendeiro e minerador.

Ele era também um contratador de impostos seriamente endividado com a Coroa.

Por fim, ele foi o autor da “carta denúncia”, atualmente conhecida como delação premiada.

Ou seja, ele denunciou o plano da Inconfidência Mineira para as autoridades portuguesas.

16) José de Resende Costa (Filho)

Perfil dos Inconfidentes José de Resende Costa Filho HistoriAção
Perfil dos Inconfidentes: José de Resende Costa Filho.

Temos agora José de Resende Costa (Filho), ele residia no Rio das Mortes e era natural de Minas Gerais.

Não possuía posses e vivia da tutela do pai, que também foi preso por participar do movimento.

Foi o mais jovem dos inconfidentes, tinha apenas 23 anos. A trajetória dele é bem interessante. Foi condenado ao degredo para a África em 1792 e retornou ao Brasil em 1809 depois de cumprir a sua pena.

Vejam só esta informação. Ele foi um dos deputados brasileiros nas “Cortes de Lisboa” entre 1821 e 1822, representando a província de Minas Gerais.

Ou seja, ele participou de outro momento importante de nossa História, que foi a independência de Portugal.

Vejam só. Ele participou da Inconfidência Mineira e da Independência do Brasil!!!

Esta imagem aqui no infográfico é relativa ao pai dele. Trata-se de uma reconstituição digital feita pela equipe de pesquisadores da UNICAMP depois de analisar a ossada trazida da África.

17) Padre José da Silva de Oliveira Rolim

Perfil dos Inconfidentes Padre Rolim HistoriAção
Perfil dos Inconfidentes: Padre Rolim.

Vamos falar agora do Padre José da Silva de Oliveira Rolim. Preste atenção porque este aqui é um padre da pesada. O Padre Rolim residia no Serro do Frio e era natural de Minas Gerais.

Padre Rolim era minerador, agropecuarista e comandava o contrabando de diamantes! Além disso, ele era traficante ilegal de escravos, garimpava em áreas proibidas e possuía 7 escravos.

Por certo, um padre deste na sua paróquia realmente deveria trazer muitos problemas.

Em resumo, havia médicos, advogados, oficiais de tropa e proprietários de escravos. Destacam-se ainda indivíduos formados pela Universidade de Coimbra, contrabandistas e traficantes de escravos.

Seus interesses foram afetados pela administração portuguesa.  Havia muita diversidade de opiniões e de interesses entre os inconfidentes. Sendo, portanto, difícil apontar um único motivo para o movimento iniciado em Minas Gerais.

As Causas da Inconfidência Mineira 

Vamos analisar a partir de agora as principais causas, os principais fatores que deram origem à Inconfidência Mineira.

18) Arrocho do Pacto Colonial

Em primeiro lugar, temos o arrocho do Pacto Colonial.

Arrocho neste caso significa aumento da dificuldade. Ou seja, o Pacto Colonial, a exploração que Portugal exercia sobre a sua colônia mais rica, ficou ainda mais intenso.

Já sabemos disso. A coroa Portuguesa enviou novas autoridades administrativas, tais como o Visconde de Barbacena, com o objetivo de combater o contrabando e aumentar a arrecadação de Impostos.

Isso desagradou intensamente os homens da elite da sociedade mineradora, pois eles tiveram diminuídas as suas oportunidades de lucros tanto com as atividades lícitas quanto com as ilícitas.

Em outras palavras, a nova política da coroa portuguesa trouxe muitas perdas financeiras para os mineradores e eles queriam reverter esta situação na primeira oportunidade que se apresentasse.

19) Iminência da Derrama

Em segundo lugar, outra causa importante da Inconfidência Mineira foi a ameaça iminente da Derrama.

Ou seja, a derrama, o mais odioso dos impostos, poderia ser decretada a qualquer momento.

Já sabemos muito bem que toda a população da sociedade mineradora deveria contribuir para o pagamento dos impostos atrasados, devendo entregar os seus bens até completar o valor exigido pela coroa portuguesa.

Por consequência, isso deixou todos em pânico.

20) Influência do Iluminismo e da Independência dos EUA

É importante falar da influência das ideias iluministas e da Independência dos Estados Unidos.

Os norte americanos, assim como a população de Minas Gerais em 1789, lutaram contra impostos considerados injustos e conquistaram a sua independência.

Este fato histórico foi uma grande referência para os inconfidentes.

Além disso, as ideias do Iluminismo já circulavam por todo o mundo no final do século XVIII e despertou nos mineiros desejo de liberdade política e econômica em relação à Portugal.

Playlist Vídeos sobre a Independência dos Estados Unidos

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As Propostas dos Inconfidentes

A partir de agora vamos analisar as principais propostas dos inconfidentes.

Em outras palavras, vamos tentar compreender o que eles pretendiam realizar caso o seu plano com a Inconfidência Mineira alcançasse sucesso.

21) Criar Uma República em Minas Gerais

Primeiramente, eles pretendiam criar uma República em Minas Gerais. Veja bem, um governo republicano é o oposto de uma monarquia absolutista.

Na república o governo é exercido em benefício da população e o poder esta dividido nas mãos de várias pessoas.

Já na monarquia absolutista todo o poder está concentrado nas mãos de uma única pessoa (o rei ou rainha), e o povo não tem direito de participação política.

Então, defender um governo republicano em Minas significava ficar independente de Portugal.

Dessa forma, podemos perceber que os inconfidentes desejavam participar da condução política desta nova região independente, caso obtivessem sucesso. Ou seja, eles pretendiam comandar politicamente a nova região independente de Portugal.

22) Livre Comércio

Outra influência iluminista nas propostas dos inconfidentes era a liberdade de comércio. Veja bem, liberdade de comércio era o oposto do mercantilismo, em que o Estado tinha o monopólio do comércio e concentrava quase todos os lucros em suas mãos.

Portanto, defender o livre comércio significava quebrar o monopólio do rei e distribuir as possibilidades de lucros e de enriquecimento nas mãos de várias pessoas dedicadas ao comércio.

23) Livre Extração de Diamantes

Do mesmo modo, o livre comércio seria acompanhado da livre extração de diamantes e do desenvolvimento de manufaturas.

Manufaturas são produtos com divisão e especialização do trabalho, portanto, são mais caros e lucrativos.

Um exemplo de manufatura são os tecidos, ou seja, roupas, vestuário.

Portanto, os inconfidentes já visualizavam outras possibilidades de crescimento e diversificação comercial da região mineradora não restritas à extração de ouro.

Percebe-se aqui a defesa de situações que favoreciam os mineradores e os homens ligados às atividades comerciais, sendo eles mesmos os primeiros beneficiados com a independência da Capitania de Minas Gerais.

24) Criação de uma Universidade em Minas Gerais

Por certo, outra forte influencia iluminista encontra-se na proposta de criação de uma universidade em Vila Rica.

Isto revela o desejo de desenvolver atividades culturais e intelectuais que promovessem o progresso científico e econômico da região mineradora.

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25) Transferência da capital para São João Del Dey

Cidade de São João Del Rey, Minas Gerais.

Havia também a intensão de transferir a capital da capitania de Minas para São João Del Rey, que era, naquele momento, uma região mais abastecida de alimentos e rica.

Em suma, esta região era o novo centro econômico da região e deveria ser também seu novo centro político.

26) A Delação

Agora vamos falar da delação e da punição dada aos inconfidentes.

Já sabemos que Joaquim Silvério Dos Reis foi o principal delator da inconfidência.

Ou seja, ele denunciou todo o plano de seus companheiros.

Temos aqui um dos primeiros episódios de delação premiada da História do Brasil. Joaquim Silvério dos Reis, um contratador de impostos seriamente endividado com a Coroa portuguesa, teve toda a sua dívida perdoada e seguiu o seu caminho na vida normalmente.

É importante dizer que mesmo antes dessa delação premiada a Derrama já havia sido suspensa.

As autoridades portuguesas não eram ingênuas e sabiam muito bem dos riscos de se decretar a derrama e provocar uma revolta sem precedentes na capitania mineira.

Depois da denúncia de Joaquim Silvério dos Reis tiveram início os Autos De Devassa

27) Autos de Devassa da Inconfidência Mineira

Os Autos de Devassa da Inconfidência Mineira foram um amplo e detalhado processo de investigação judicial movido pela Coroa Portuguesa para desvendar todo o planejamento dos inconfidentes e de seu movimento separatista na capitania de Minas Gerais no final do século XVIII. Seu resultado final foi a condenação de todos os envolvidos. Entretanto, somente Tiradentes recebeu a pena máxima pelo crime de Lesa Majestade, previsto nas Ordenações Filipinas.

28) A Punição

Tiradentes Esquartejado Pedro Américo 1893
Enforcamento, decapitação e esquartejamento de Tiradentes.

Os líderes da Inconfidência Mineira foram degredados para a África.

Degredar ou condenar ao degredo significa expatriar, ou seja, expulsar o indivíduo de sua terra natal e enviá-lo de forma coercitiva, de forma obrigatória para uma terra estrangeira.

Joaquim José da Silva Xavier (o Tiradentes) assumiu a responsabilidade pelo movimento e foi o único a receber a pena máxima, ou seja, foi acusado de cometer crime de Lesa-Majestade e você já sabe muito bem o que isso significava.

Mas eu vou repetir. O crime de Lesa-Majestade era o mais grave crime que um indivíduo poderia cometer na Sociedade de Antigo Regime.

Um crime gravíssimo, pois era considerado um crime contra a autoridade do rei. Punição máxima!

Em outras palavras, tratava-se de um castigo pedagógico, aplicado para servir de exemplo para toda a população e para que ela nunca mais esquecesse aquele episódio.

Em conclusão, Tiradentes foi enforcado, decapitado e esquartejado em 21 de abril de 1792. Sua cabeça foi levada para Vila Rica e ficou exposta no poste em praça pública.

As partes de seu corpo foram espalhadas pelos caminhos da Estrada Real, que ligava Minas ao Rio de Janeiro. E este foi o desfecho da Inconfidência Mineira.

Mapas Mentais e Infográficos

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