Independência ou Morte? Motoristas Brasileiros: Velozes, Furiosos e Assassinos

Independência ou Morte? Motoristas Brasileiros: Velozes, Furiosos e Assassinos

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*Texto escrito por Jener Cristiano para o Ato Cívico do feriado de 07 de setembro de 2010 (Colégio Santo Agostinho-Contagem).

Quando se pensa no dia 07 de Setembro todos pensam no feriado. Eu, ao contrário, penso, infelizmente, nas mortes nas estradas brasileiras. Todo feriado, seja ele santo ou não, é a mesma coisa. A intolerância, a impaciência, a imprudência e a falta de educação do nosso motorista é algo sem limites.

Desafio qualquer um a andar no Anel Rodoviário (corredor viário que atravessa a Região Metropolitana de Belo Horizonte popularmente conhecido como “Anel da Morte”)  no limite de velocidade permitido pela via (80 Km/h). É simplesmente impossível.

Sempre que tento fazer isso olho no retrovisor e penso: “lá vem eles, Velozes e Furiosos e Assassinos”. O comportamento desse motorista é bem previsível. Obviamente ele está acima, muito acima do limite de velocidade máxima permitido. Por querer passagem rápida ele pisca faróis várias vezes durante a sua aproximação.

Se você não sai do caminho ele cola na sua traseira, fica ali um tempinho e buzina. Caso o motorista lento (leia-se: aquele que dirige de maneira civilizada e dentro dos limites previstos pelas autoridades de trânsito) ainda não tenha dado passagem, os velozes e furiosos e assassinos fazem a sua última manobra. Eles dão um golpe de direção para a direita, aceleram fundo, fazem a ultrapassagem e jogam o carro na sua frente, tentando fazer com que você bata na mureta que divide as pistas.

Feito o “ato de justiça” eles abrem a janela, fazem gestos obscenos e outras ofensas morais por meio de símbolos bem conhecidos por quem dirige diariamente, pisam fundo e vão embora. Isso acontece todos os dias nas ruas e estradas do país. Tudo isso porque você resolve obedecer a lei e dirigir em velocidade segura.

Durante o feriado de Independência deste ano (2010), 97 pessoas morreram nas estradas de todo o país. 1.487 pessoas ficaram feridas. Segundo a Polícia Rodoviária Federal 436 motoristas foram reprovados no teste do bafômetro. Destes  229 foram presos. Ao todo foram registrados 2.329 acidentes. Famílias foram destruídas, pessoas saudáveis foram mutiladas e terão que conviver com as mais diversas sequelas. 

As mortes das estradas brasileiras são piores do que a guerra no Oriente Médio. Dois dos mais violentos ataques terroristas no Iraque no mês de agosto de 2010 deixaram 102 pessoas mortas e 125 feridas. Aqui no Brasil a guerra não é silenciosa e todo feriado prolongado a mesma notícia se repete. A nossa situação não é muito diferente dos iraquianos. 

Aqui nós temos carros bomba, caminhões bomba, motocicletas bomba explodindo todo dia, em cada rua, em cada esquina. Isso é assustador, pois se trata de uma necessidade de locomoção que vem sendo usada como arma.

O nosso motorista se inspira na produção hollywoodiana “Velozes e Furiosos”. Mas aqui, ao contrário do cinema, as mortes não são ficção, os motoristas não tem dublê, os efeitos da guerra nas estradas não são nada especiais, e os mortos não recebem o Oscar.

Então, fica a reflexão. No próximo feriado de sete de setembro o que desejamos? Independência ou Morte? Educação no trânsito deveria ser incluída no currículo escolar brasileiro, isso seria um gesto de cidadania e respeito à vida.